segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A conquista !

Eram tempos dourados, onde o romance era necessário... existia a seresta, à noite, na janela da bela, que  entre as cortinas, apreciava seu pretenso amado, falando  segredos da lua, desvendando ternos versos a cada acórde de seu violão..por certo, um amador cantor, desafinado, desajeitado, por vezes trocando estrófes, mas sem perder o toque de  Romeu Romântico, um ântico  propenso a fazer de seus olhos faról  para  um coração de mulher. O caminho mais curto para o afeto de raiz, aquele que transpõe tempestades mesmo num barquinho de papel à deriva....com ou sem rimas.As cartas...ah...as cartas, em linhas mal traçadas, endereçadas com o código do perfume, lacradas a saliva e cóla, que nóia, mas era assim, simples, real, olho no olho e meio sem jeito, um toque na mão, um  carinho no rosto, um xeiro...canções que falavam das cartas, cartas que falavam das canções e de qualqur maneira a idéia inteira era  harmonizar  amor, prosear sobre namorar, trocar olhares, flertar...segurar na mão, na sessão da tarde, no cinema lá perto da praça, as primas sempre perto,  espiãs  e cumplices, sem regras,  estreitando a relação, o jeito que o outro sorria, como comia, como parava os olhos, como tocava o bonde chamado desejo de namorar sempre...terça, quinta  e sábado....domingo só um pouquinho.esse era o jeito  coerente, segundona dia de batalhar,ir a luta novamente....as flores...sim, as mulheres ganhavam flores, tons claros, pequenos botões  enlaçados em fitas coloridas...poesia, um homem  não tinha vergonha de falar  simples versos...encenar gestos, beijar a mão...ah...as serestas, composição  na medida para aquela menina...tempos dourados...que podem  ficar para sempre...como? Não tendo vergonha de fazer as mesmas coisas que faziam os pais e avós da gente, que aparentemente eram rudes, tinham relações até por vezes  frias, mas não se enganem, permaneciam unidos, criando seus filhos,  construindo história e sabe... no particular,  falando muito bem obrigada de um amor possuidor de força criadora que só pelo olhar daria  para tocar uma partitura...falo de poesia. No parque, sábado a tarde  o alto-falante  anunciava...Srta.... o Sr. fulano de tal  oferece esta canção, com afeto e risadas envergonhadas  eram motivo de muita piada o carrossel girava.... companhia até a porta de casa ,cantar, dar cantadas,esperar o portão trancar, a porta fechar a luz da frenta apagar, para depois sim partir, ensaiando com voz timida a próxima canção que para ela ofertaria, um sonho de valsa, uma nova escrita, uma nova  constelação de  sonoros suspiros e haja cupidos...Romancear só para variar é bom, como dizia Elis faz bem para a péle...o amor assim nunca fére...e deixa sempre o tom de uma  seresta  eterna. É questão de maturidade...sexo bem feito é fácil,  amor perfeito, a fórmula é única ...digital impressa, na alma de quem apressa esse jeito gostoso de gostar...feito gente grande, aprender a  arte de amar.


Beijos e xeiros

da Maluzinha

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