Eram tempos dourados, onde o romance era necessário... existia a seresta, à noite, na janela da bela, que entre as cortinas, apreciava seu pretenso amado, falando segredos da lua, desvendando ternos versos a cada acórde de seu violão..por certo, um amador cantor, desafinado, desajeitado, por vezes trocando estrófes, mas sem perder o toque de Romeu Romântico, um ântico propenso a fazer de seus olhos faról para um coração de mulher. O caminho mais curto para o afeto de raiz, aquele que transpõe tempestades mesmo num barquinho de papel à deriva....com ou sem rimas.As cartas...ah...as cartas, em linhas mal traçadas, endereçadas com o código do perfume, lacradas a saliva e cóla, que nóia, mas era assim, simples, real, olho no olho e meio sem jeito, um toque na mão, um carinho no rosto, um xeiro...canções que falavam das cartas, cartas que falavam das canções e de qualqur maneira a idéia inteira era harmonizar amor, prosear sobre namorar, trocar olhares, flertar...segurar na mão, na sessão da tarde, no cinema lá perto da praça, as primas sempre perto, espiãs e cumplices, sem regras, estreitando a relação, o jeito que o outro sorria, como comia, como parava os olhos, como tocava o bonde chamado desejo de namorar sempre...terça, quinta e sábado....domingo só um pouquinho.esse era o jeito coerente, segundona dia de batalhar,ir a luta novamente....as flores...sim, as mulheres ganhavam flores, tons claros, pequenos botões enlaçados em fitas coloridas...poesia, um homem não tinha vergonha de falar simples versos...encenar gestos, beijar a mão...ah...as serestas, composição na medida para aquela menina...tempos dourados...que podem ficar para sempre...como? Não tendo vergonha de fazer as mesmas coisas que faziam os pais e avós da gente, que aparentemente eram rudes, tinham relações até por vezes frias, mas não se enganem, permaneciam unidos, criando seus filhos, construindo história e sabe... no particular, falando muito bem obrigada de um amor possuidor de força criadora que só pelo olhar daria para tocar uma partitura...falo de poesia. No parque, sábado a tarde o alto-falante anunciava...Srta.... o Sr. fulano de tal oferece esta canção, com afeto e risadas envergonhadas eram motivo de muita piada o carrossel girava.... companhia até a porta de casa ,cantar, dar cantadas,esperar o portão trancar, a porta fechar a luz da frenta apagar, para depois sim partir, ensaiando com voz timida a próxima canção que para ela ofertaria, um sonho de valsa, uma nova escrita, uma nova constelação de sonoros suspiros e haja cupidos...Romancear só para variar é bom, como dizia Elis faz bem para a péle...o amor assim nunca fére...e deixa sempre o tom de uma seresta eterna. É questão de maturidade...sexo bem feito é fácil, amor perfeito, a fórmula é única ...digital impressa, na alma de quem apressa esse jeito gostoso de gostar...feito gente grande, aprender a arte de amar.
Beijos e xeiros
da Maluzinha
Beijos e xeiros
da Maluzinha

Nenhum comentário:
Postar um comentário