terça-feira, 25 de maio de 2010

Alta Frequencia !



Ela  adormeceu . Ela estava cansada, suas idéias confusas, desatinadas, medo, saudades e mágoa.Mergulhou no mais profundo do oceano, águas  claras, os peixes  em perfeita sincronia, seguiam seu corpo solto, leve e livre, dançavam entre  algas e rochedos, a vida  acontecia por aquelas altas horas. Seu vestido azul colado ao corpo lembrava  uma sereia , matizes nunca vistos antes, luzes mostrando a direção, o caminho. Ela se deixava levar e cantava  assombrando as paredes de areia movediça, ela  sabia para onde ia, sentia em seu peito uma paz infinita.

Chegou a praia, e pasma viu se em um vestido branco longo e segurando chapéu de palha...as águas tão claras, limpas . A brisa morna, acariciando seu rosto, uma leveza, um aroma no ar  de mar, ar...ela respirava profundamente e  caminhava agora  admirando a paisagem perfeita...perfeita? Olhou suas mãos e viu conchas  de formas diferentes, brilhavam, reluziam como pedras preciosas com vida própria...percebeu intuitivamente que  aproximava se alguém muito rapidamente...Parou, sentou e os olhos fechou, o barulho das ondas quebrando  sem remo, sem prancha, sem comando. Um toque conhecido, amigo, em seu ombro..ela permaneceu imóvel, precisava deste óbvio  momento, o aconchego  aquecido do amor  nunca esquecido . Em pensamento gritava fica, eu fico, mas sabia que era apenas por agora, para aquela exata hora, o presente  da presença contente, dessa força que embalava  sua alma, fazendo a sentir o  bater das asas  de andorinhas  em revoada.Não diziam nada, também não precisava, o silêncio fazia tanto baruho que incomodava. Vozes, sons, imagens lúcidas, translúcidas  ultrapassando a velocidade da luz. As conchas cairam de suas mãos, foram devolvidas e em troca sentia entre os dedos  uma pedra, pela textura sabia, mas tinha medo, não abria os olhos, certamente ele partiria, não  se perdoaria se quebrasse o momento mágico, do tempo paralelo abrindo brechas, arestas, em festa.


O  coração se aperta..hora de mais uma despedida, talvez a ultima, quem sabe, o momento é de partida. A promessa velada de estarem sempre juntos, na frequência do rosa, das flores que encantam a todos que amam e riem , choram, não importa. O céu fica nublado, um ultimo afago, e acabou, abre os olhos  e percebe  estar voltando, não queria, mas os peixes  a levam com pressa, cuidado...Terminou a festa. 


Ela  acorda, decepcionada  por ser apenas mais um sonho, quando sente em sua mão algo ...a pedra, o quartzo rosa, brilhando e revelando o segredo que não contará jamais a alguém. Fica  assim, segurando seu presente, sonhando acordada, com  mais um encontro . Quando será? O que importa !


Numa outra brecha do tempo, numa frequência que só o amor alcança, ela o verá, ele a verá e  está tudo certo, como dois e dois são cinco, seis, sete...




Beijooo e xeirooo !


Maluzinha




PS.  Ela sonhava com seu pai, o maior amigo de sua vida.Em sonhos se falam as vezes.!

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